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Antes do voto pela internet no Brasil, é preciso que o processo político estimule o cidadão a votar

Em recente participação em um programa da TV Câmara Taubaté, canal legislativo da cidade localizada no Vale do Paraíba, a 134 quilômetros da capital, para análise das eleições municipais deste ano, o assessor de imprensa, Luiz Carlos Batista, questionou se, no futuro, existe a possiblidade de termos voto pela internet no Brasil. Naquela oportunidade, a resposta foi de que, possivelmente, tecnologia haveria para isso, o que restava saber é se o eleitor brasileiro teria maturidade para tal.

O tema é bastante interessante e merece reflexão, principalmente, quando vemos nas eleições presidenciais americanas deste ano essa possibilidade. Segundo o portal Terra, cerca de 3,5 milhões de eleitores de 32 Estados e do Distrito de Columbia poderão votar pela internet, em pelo menos uma parte do processo para a escolha do novo presidente dos EUA.


Ao analisar o tema, fica claro que a tecnologia existe, mas, pelo que se percebe, ainda carece de um pouco mais de confiança, já que há especialistas que acreditam na possibilidade de que as máquinas utilizadas no processo de votação possam ser hackeadas a um custo muito baixo, em torno de U$ 10,50, e por pessoas que possuam conhecimentos básicos de informática.

No Brasil, talvez, antes de se falar na tecnologia e se chegar a equipamentos que permitam a votação online, é preciso primeiro se discutir questões básicas do processo eleitoral, como a participação efetiva da população. Dados do TSE dão conta de que apenas no segundo turno, a abstenção nas eleições municipais deste ano foi de 19%. O percentual é considerado preocupante pelo próprio Tribunal. Apesar de não haver uma razão definitiva que explique essa ausência do eleitor, essa situação remete a algumas discussões importantes que precisam ser feitas antes de se falar em voto facultativo (tema sempre recorrente), e voto pela internet. É preciso entender, primeiro, o que faz o eleitor abrir mão desse ato de cidadania e trabalhar para modificar a realidade que tem desestimulado o eleitor a votar.

E a análise é simples: se nos EUA, em que a democracia está instalada há muito mais tempo ainda há pontos a serem discutidos e revistos sobre o voto pela internet, no Brasil ainda há questões anteriores que precisam ser resolvidas para que, então, possamos pensar nessa prática de voto online. Como já dito, não podemos apenas falar de tecnologia. Nesse caso, tecnologia, talvez, seja o ponto mais fácil de ser resolvido. A questão é, antes de tudo, cultural.

Enquanto não tivermos uma classe política na qual se possa confiar, enquanto a população não tiver a certeza de que seus impostos retornarão em forma de benefícios para a sociedade, voto facultativo e voto pela internet deverão ser temas que deverão ficar em segundo plano.